domingo, 24 de agosto de 2008

AS MULHERES TEM FIOS DESLIGADOS



Nota: texto em português de Portugal, escrito por Antôno Lobo antunes, Revista Visão - 07/2008

Há uns tempos a Joana
-Pai, acabei um namoro à homem
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
- Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
-já não gosto de ti
De
-não quero mais.
Chegam com discursos vagos, circulares:
-preciso de tempo para pensar
-não é que não te ame, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
Ou declarações do género de
- tu mereces melhor
-estive a reflectir e acho que já não te faço feliz
-necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
E aos amigos:
-dá-me os parabéns que lá consegui livrar-me da chata
-custou mas foi
-amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu
-chora um dia ou dois e passa-lhe.
E pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarréias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (xixi, sede, fome, a janela de que esqueceram de fechar o estore) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava:
- o maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo.
E depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las.
O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- as mulheres têm os fios desligados
E outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meus Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
-já não gosto de ti
Se informam
-não quero mais
Aí estão eles alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos, ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores, eles que nunca mandavam a colocarem-se de plantão À porta dado que aquela p*** há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-pagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe À frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por xixi-sede-fome-persianas-mal-descidas-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti está em mim, a mexerem a faca na mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Vergílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde idiota, desonesto.
Fui (espero que não muitas vezes)rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase do Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde de mais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc..., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma mulher contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- mereces melhor que eu
Levou com a resposta
- pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua.
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que façam falta.
Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que vi na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.»

SALÃO DE BELEZA





Zeca Baleiro


Se ela se penteia eu não sei
Se ela usa maquilagem eu não sei
Se aquela mulher é vaidosa eu não seiEu não sei eu não sei
Vem você me dizer que vai a um salão de beleza
Fazer permanente massagem rinsagemReflexo e outras cositas más
Baby você não precisa de um salão de beleza
Há menos beleza num salão de beleza
A sua beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão
Mundo velho e decadente mundo
Ainda não aprendeu a admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro puro do engano da imperfeição
Belle belle como Linda Envangelista
Linda Linda como Isabelle Adja

AS ESCOLHAS DE UMA VIDA



Pedro Bial

À certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões". Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso. Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".
Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro,num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.
As duas opções têm seus prós e contras: Viver sem laços e viver com laços...Escolha: Beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.
Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando não se está. Por isso é necessário ler muito, ouvir muito e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas,elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre. Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto. Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado.

OS FILHOS



Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós.E embora vivam convosco, não vos pertencem.Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos.P orque eles têm seus próprios pensamentos.Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas, pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não podem fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força para que suas flechas se projetem rápido e para longe. Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria.

Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável.
Gibran Khalil



Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
by Carlos Drummond de Andrade

POR QUE AS MULHERES MADURAS NÃO FICAM



Tudo nos leva a crer que, a partir dos 15, 16 anos, as moças tenham mais medo de perder o controle sobre sua sexualidade do que nos primeiros anos de puberdade, onde praticam o "ficar" com maior tranqüilidade. É curioso observar que elas perdem a coragem para as intimidades sexuais e, não raro, também deixam de se masturbar. A aliança forte entre sexo e amor só ocorre com o sexo feminino. Os homens, mesmo preferindo as duas coisas, continuam, em sua maioria, gostando de sexo como um prazer descompromissado. Por que isso não ocorre com as mulheres?Não cabe dizer que as mulheres são mais românticas, pois isso não é verdade. Um aspecto importante, fora o medo de se perder em sua própria sexualidade, está relacionado com o modo como aprendemos a ver o prazer, que não costuma ser meta em si mesmo. Nossa cultura é defensora do sacrifício, do esforço, da renúncia, muito mais do que a favor do prazer. Difícil é responder para que uma mulher irá trocar carícias descompromissadas. Segundo aprendemos, prazer não é finalidade que se preze! Mas os homens não fazem sexo só por isso? Há uma pequena, porém importante, diferença no funcionamento da sexualidade masculina: após a ejaculação, os homens sentem um relaxamento e uma sensação de saciedade muito maior do que aquela que as mulheres experimentam depois do orgasmo. Dessa forma, ele poderá se masturbar porque isso será prazeroso. Também o fará porque o relaxamento irá ajudá-lo a dormir melhor, por exemplo. Há uma finalidade além do prazer na sexualidade masculina. No caso das mulheres, teria de ser por puro prazer.A maioria das mulheres acaba aceitando a proposta da nossa cultura de associar sexo ao amor, pois, assim, há sentido e finalidade: dar prazer e agradar à pessoa amada. A mulher poderá até mesmo obter prazer nas trocas de carícias, mas isso não será o essencial. Trata-se de uma associação muito forte e também muito conveniente, pois o clima amoroso determina uma sensação de segurança e proteção, de modo que a mulher poderá se soltar mais sexualmente sem se sentir ameaçada de perder-se.O que fazem as mulheres? Na prática, passam a desenvolver um prazer cada vez maior em se exibir e em provocar o desejo dos homens em geral – o que não deixa de ser uma forma totalmente desvinculada do amor –, mas têm intimidades apenas com o amado. Vão aprendendo a usar a sensualidade e poder de sedução como uma arma para impor-se. Chamo isso de instrumentalização do poder sexual feminino, poder esse que será exercido de formas variadas, de acordo com os princípios morais de cada mulher. Ela poderá usá-lo com o intuito de atrair para si o homem – ou os homens – que desejar, tanto para amá-lo como para explorá-lo. Pode parecer até um bom negócio, mas é muito triste porque na raiz de tudo isso está a incapacidade de viver o sexo apenas como fonte de prazer.

Flávio Gikovate é médico psicoterapeuta, pioneiro da terapia sexual no Brasil.

DE MALAS PRONTAS


By Tatiana Carboni

Calça, saia, camiseta, biquíni, protetor solar, toalha de praia... Será que está faltando alguma coisa? Aprenda a organizar sua bagagem.

O verão chegou! Hora de arrumar as malas para viajar e curtir as férias. Ainda nem pensou o que vai levar na bagagem? Além da sua, falta fazer as malas das crianças também? Arrumar malas definitivamente é a parte chata da viagem, pois além de fazer mágica para caber tudo naquele espaço apertado, sempre fica a sensação de que está esquecendo algo.
Para que as roupas não amassem, caiba tudo o que você deseja levar e ainda não falte absolutamente nada, é preciso organização! Faça uma listinha de tudo o que irá precisar. Ah, o mais importante: nunca faça uma mala que você não consiga carregar sozinho.
Outro passo importante é ter idéia das condições do tempo do seu local de destino. Mesmo após ter separado as roupas que pretende levar, faça outra triagem em suas escolhas, lembre-se que a maioria da bagagem acaba voltando intacta. Para viagens curtas ou longas, a dica é uma só: as peças devem combinar umas com as outras.


Check List de Verão para cinco a oito dias de viagem:
MALA FEMININA
Número de calcinhas equivalente ao de dias

2 sutiãs

1 conjunto de lingerie mais fino

2 biquínis ou maiôs de preferência de modelos parecidos, para a marca do sol ficar uniforme

2 saídas de praia (camiseta branca, canga ou saia curta)

1 calça clara para o dia (de tecido leve, branca ou bege)

1 calça escura, mais chique, para a noite (preta ou marinho)

1 calça jeans

1 bermuda ou shorts bege ou marinho

1 saia (de cor neutra)

1 vestido preto para noite

1 vestido claro ou colorido

5 camisetas (de preferência de cores claras)

1 camisa colorida

1 par de sandálias baixas

1 par de sandálias altas para a noite

1 par de tênis 1 par de chinelos

1 par de meias-calças finas

3 pares de meias soquetes finas

1 ou 2 camisolas ou pijamas

2 cintos

1 bolsa clara esportiva

1 bolsa para a noite

1 casaco leve/malha (de uma das cores neutras)

1 moleton

Pronto, agora confira as dicas dos especialistas para arrumar a mala como um verdadeiro profissional...
1. Ao escolher a mala, opte pelos modelos com rodinha e personalize de alguma forma sua mala, é possível que outra pessoa tenha um modelo igual ao seu.
2. Os primeiros objetos a serem embalados são os insubstituíveis, aqueles que você usa todos os dias e não encontra em qualquer lugar, como remédios controlados, cosméticos antialérgicos, óculos. Melhor ainda é colocá-los na bagagem de mão, para que não corra o risco de tê-los extraviados. Ainda na bolsa de mão, leve uma muda completa de roupa e documentos importantes. Para os produtos que costumam ter embalagens grandes - xampu, condicionador, hidratante - prefira adquirir kit de viagem (de tamanho reduzido), ou colocá-los em frascos menores, para que ocupem menos espaço.
3. Câmeras fotográficas e eletrônicos devem ser colocados junto dos objetos pessoais.
4. Prefira as roupas feitas de tecidos que amassem pouco ou nada (linha, microfibra, malha). Evite misturar roupas usadas com as sem uso.
5. Não leve sapatos novos. Você vai, provavelmente, caminhar bastante e a última coisa que precisa é de sapatos te machucando. Leve os calçados dentro de embalagens especiais (sacos com cordões) para que não tenha contato com os demais objetos na mala.
6. Limite os acessórios e não leve jóias de valor em suas viagens.
7. Enrole peças similares, como calças. Dessa forma você poupa espaço e evita que elas amassem, outra idéia que ajuda a evitar que as roupas fiquem amarrotadas é enrolar diversas peças de roupas em um objeto macio.
8. Se for viajar com outras pessoas, combine o que cada um vai levar para não ter coisas em duplicata sem necessidade.
9. Para desamassar peças de tecidos leves, pendure a roupa num cabide, coloque no banheiro e ligue o chuveiro. O vapor dilata as fibras dos tecidos que, após o banho e já na temperatura ambiente, voltam ao estado inicial, ficando menos amassadas.
10. Colocando na mala: comece guardando os sapatos no fundo da mala. Coloque-os em sacos de tecidos.

Se o modelo de mala escolhido for daqueles maleáveis, aproveite os sapatos para criar uma estrutura para as roupas. Enrole as meias e guarde-as dentro dos sapatos. Coloque as calças em cima dos sapatos. Não as dobre mais do que duas vezes. Depois coloque as saias e vestidos, virados do avesso e dobrados, no máximo, uma vez. Guarde as camisetas e blusinhas enroladas para não marcá-las com as dobras.

Por cima de tudo coloque camisas, se for necessário levá-las. Dobre-as pouco abaixo da cintura (a marca ficará escondida dentro da calça ou saia durante o uso). Coloque as roupas íntimas e biquínis em sacos de tela, plástico ou pano e encaixe nos vãos, entre as roupas. Cintos também devem ser enrolados e colocados nos vãos livres.

Assim que chegar ao destino, tire as roupas da mala e pendure-as.

COMPLEXO DE SABOTAGEM - Como as mulheres tratam o dinheiro



Colette Dowling

"A ética e o pensamento a longo prazo saíram de moda. Negócios com aplicação de grande pressão (negócios financeiros com fundos tomados de empréstimos) tiveram uma popularidade súbita. Empresas iniciaram farras de gastos sem precedentes, assumindo dívidas colossais, vendendo ativos e deixando de gerar novos capitais."

"Enquanto põe suas finanças sob controle, você muda...Você se torna uma pessoa diferente. à medida que comecei a assumir o controle de minha vida, nos menores e mais básicos detalhes, anotando diariamente o que fazia, comecei a me sentir melhor comigo mesma do que em qualquer outra época. Descobri que precisava me soltar mais, tornar-me menos isolada - precisava interessar-me por pessoas e deixar que elas se interessassem por mim. Deixei de julgar os outros. Desenvolvi um sentimento de compaixão. Enquanto fazia isso, observei a desconfiança em mim mesma evaporar-se gradualmente. Não me sentia mais compelida a me comparar com outras pessoas - a me manter à frente em algumas coisas e a um salto atrás em outras. Desmanchar a teia de inverdades que nos contaram sobre nós mesmas exige uma espécie de desprogramação.

...Com dinheiro nosso teremos liberdade de vivermos com quem quisermos ou vivermos sozinhas. Teremos liberdade para perseguir sonhos que talvez tenhamos engavetado antes, para cuidar dos filhos de tal forma que possamos viver sem a muleta da fantasia da Cinderela ou o medo de terminar na miséria."

"Sentindo-se presas na armadilha de terem que cuidar de tudo, as mulheres andam em passos decididos pelos shoppingcenters, de olho vivo para pequenos e inocentes luxos. E essas pequenas, minúsculas e insignificantes compras somam-se umas a outras, distraindo-as, mantendo-as calmas...Comprar lixo para o lar é o ópio das massas femininas. Sabe-se há muito tempo que pessoas que se sentem incapazes de juntar dinheiro suficiente para comprar alguma coisa de valor - que, basicamente se sentem incapazes de formar capital - tendem a gastar ininterruptamente em itens pequenos e conpensatórios. Pode ser um pequeno escorredor de facas, ou um par de fronhas - pois isso nos faz sentir bem. A maioria das mulheres que conheço gasta dessa maneira.

Gastamos para nos recompensar, para contrabalançar sentimentos de privação e ressentimento".

Nota: esse é um libro que TODAS as mulheres deveriam ler. Na adolescência e reler na maturidade.

POEMA PRA MIM MESMA


Agradeço de coração àquele que um dia, me deixando, me proporcionou o melhor encontro da minha vida - o encontro comigo mesma e com a mulher que eu havia sido um dia.

Para além da experiência vivida, sobrevivi e me descubro agora mais forte, mais moça, mais viva... Para além dos meus 46 anos me vejo no espelho como me via aos 20, olhos brilhantes, querendo...querendo - verbo feliz de sentir.
Para além da morte, da dor, do passado, estou de pé, erguida.
Percorri o deserto sozinha - perambulei por infernos sombrios, - vaguei que nem Dante e Helena, mas estou viva ... sobrevivi !
Para além do abandono, da rejeição, das crenças todas que larguei de mão, me encontro aqui, - na catedral de mim mesma e me aplaudo porque, enfim passada a quarentena, as fases da lua, o nascer do broto do bambu,
vitória !
S O B R E V I V I .
by Rosângela

ELEGIA ÀS MÃES MÁS



Caterine Serrurier

"Nós, mulheres, temos raiva de nossos filhos, porque eles nos incomodam. As mães, levadas por seu inconsciente, como todo mundo, são agressivas, em graus diferentes, em relação aos filhos".

"E as crianças, parceiras privilegiadas dessas relações, nunca se enganam: os pais são sempre desmascarados pelos filhos."


"O pano de fundo social da função de mãe de família não é realmente sedutor: solidão, exclusão, incompreensão, sobrecarga, distorção entre o ideal e ovivido, perda do desejo...Não é realmente bom ser mãe hoje em dia !".


"Além disso, há todos os comportamentos cotidianos da mãe, que tem, mais ou menos um significado suicida ou, em todo caso, auto destrutivo: privar-se em proveito da criança (de carne, de sobremesa, de televisão, de sair...), deixar-se sobrecarregar pelas tarefas domésticas, sem procurar se organizar e, sobretudo, deixando que os filhos a tiranizem; recusar a todo prazer, por assim dizer, e proveito do filho: sobretudo, não brincar, não fazer nenhumprograma que a obrigaria a "abandonar" a criança, não fazer amor com o marido, não trabalhar fora...Esse masoquismo é totalmente nocivo à criança. Os filhos e as filhas das mães-sacrifício não são nada condescendentes. Paradoxalmente, é pelo devotamento, pelo esquecimento de si que a mulher se dá importância. Ela é em geral amorosa porque é infeliz.


Toda mulher está em seu útero - útero: origem da palavra HISTERIA".


"A mãe culpada: É paradoxal, mas uma mulher que se censura por não se ocupar dos filhos, é, podemos dizer, uma mãe lúcida, mas nem por isso uma mãe suficientemente boa. Seu sentimento de culpa onipresente bloqueia justamente o caminho da descontração e da alegria, da abertura e da coesão tão necessários às crianças. Inútil precisar que se trata, na maioria, de mulheres que trabalham".


"Somos atraídos para onde somos mais reconhecidos, é normal".


...à noite, quando Thomas volta do trabalho, encontra uma mulher excitada demais ou completamente apagada. Sem nunca se maquiar e se pentear, precipita-se sobre ele como o libertador: tem mil coisas para dizer, para contar, ou então, necessidade de queixar do que lhe aconteceu com as crianças (besteiras e pequenos problemas de saúde) ou, ainda, atira-lhe o bebê nos braços e pede-lhe e para dar banho no mais velho,pois ela precisa fazer uma coisa urgente (ou seja, respirar).
... É a volta da tristeza, do desgosto, da vontade de nada, do sentimento de inexistência, mas agora mais grave do que antes. Quando Marie tem tempo para pensar, diz a si mesma que não é como as outras (as outras mães que vê ou acredita ver): elegantes, vivas, organizadas, que conseguem, elas sim, receber amigos ou aprender pintura em si. Acha-se envelhecida, impotente, em suma: uma negação".


"Por que devemos, de modo singular, temer esse sentimento de culpa das mães ? Por que esse sentimento de indignidade as torna más ? Porque sentir-se culpada não lhe dá particularmente um ar feliz. Porque uma mulher que vive ininterruptamente um conflito interior entre o que ela é e o que gostaria de ser, entre o que faz e o que gostaria de fazer, é uma mulher tensa, cont´raída, nervosa, e como esse é um sentimento particularmente difícil de suportar, a mãe, como todo ser humano, tem tendência a querer rejeitá-lo. E o mecanismo de defesa que funciona aqui é, pura e simplesmente,a transformação desse sentimento de culpa em rancor e agressividade contra aqueles que o suscitaram: os filhos!.


"Eis, em resumo, a situação da mãe depressiva, porque se sente uma vítima. Ela detesta o mundo e a si mesma em particular por ser obrigada a carregar, dia após dia, a carga física e moral de três filhos pequenos. Que efeito essa verdadeira doença interior, inconfessável - porque contraditória ("você quis essas crianças !") e não compreendida pela própria interessada, pode ter sobre as crianças ? Eles são submetidos a desgastes frequentes. Mamãe se irrita por nada, mas, sobretudo, muda de opinião, dá ordens e contra-ordens, e chia por uma coisa que permitiu cinco minutos antes...Não pára de se queixar, não ri. Pelo contrário, as crianças a vêem, as vezes, chorar, e se sentem responsáveis por sua tristeza - ainda mais porque ela não explica a razão..."


"Eu não lhes digo como Pierre Perrt: "Deixem em paz as crianças !", conselho com o qual concordo, aliás - mas, encontrem primeiro o seu proóprio caminho, seu desejo, seu projeto, que correspondam melhor à sua personalidade,deêm-se prazer, sejam felizes !...e então vocês serão melhores mães."


"A mãe é aqui embaixo o único Deus sem ateus" , dizia ErnestLegouvé, moralista da metade do século XIX.


"Sem o mito da mãe perfeitamente boa, que perdura até hoje, apesar de todas as revoluções e, particularmente a de maio de 68, nossas sociedades ocidentais não seriam o que são...Nossa demografia, talvez, não fosse equilibrada...se reinasse a lucidez e toda consciência coletiva estivesse impregnada da idéia de que nem todas as mães são feitas para serem mães, certamente haveria menos nascimentos, sobretudo porque contramos relativamente a concepção. O mito da "boa mãe" sempre foi eficaz também nos níveis dos costumes familiares e da distribuição dos papéis sociais."


"Eis por que alguns homens e mulheres adultos, mesmo que sejam indignos ou tenham sofrido com uma mãe medíocre, desprezam sua vivência pessoasl, escondem-na inconscientemente em benefício de uma ilusão reconfortante: toda mãe é uma boa mãe".


"Para alguns homens, nem a experiência de vida, nem a formação científica, nem a clarividência em outros domínios conseguirão contradizer o mito da mãe perfeitamente boa".


"Dizemos que o ser humano tem dois objetos secuais originários: ele mesmo e a mulher que lhe oferece cuidados" - Freud


"As mulheres e mães de hoje são ainda muito mais vítimas do que a evolução tão rápida dos costumes permitira supor. Os modelos ideais permanecem: o da mãe perfeita e o da mãe-virgem, aos quais as mães estão incessantemente atadas, como a um rochedo cujo pico seria inacessível e no qual só conseguem se esfolar."


"Foram os homens que descretaram e legislaram sobre a maternidade e sobre o papel social das mães. E isso pela simples razão de que as funções dirigentes serem sempre ocupadas por homens: padres, moralistas, filósofos, políticos".


"Desde Émile, estamos condenadas a ser mães e a ser boas mães. Não há outra alternativa. As contrário das verdadeiras vocações religiosas, que são livres e voluntárias, a vocação materna é obrigatória" - Elizabeth Badinter.


"Como não se revoltar (contra o homem ou, mais grave, contra as crianças) quando você sente cruelmente a injustiça da sua sorte que amarra você às panelas e aos carrinhos de bebê e nada em suas atividades dos anos anteriores, preparou você para isso..."


"Se uma adolescente de 14 anos já se sente mais velha do que seu colega de escola da mesma idade, o que não sentirá uma de 25 anos que trouxe ao mundo seu primeiro filho e descobre que seu parceiro, "homem" de 25 anos ou mais, lhe parece agora um garotinho ?"


"Ora, a mulher criativa - e há muitas entre as mães, tanto quanto, sem dúvida, em qualquer outra categoria de população - se vê proibida de criar, pois não tem nem tempo de sonhar nem de trabalhar para si mesma, no silêncio e na solidão indispensáveis. Adeus aos quadros, aos escritos, adeua à música ! Ou, mais extamente, adeus a toda esperança de progresso e invenção em todas essas artes. Pois os filhos são absolutamente prioritários em todos os meios e para todas as mentalidades. Privadas assim da paixão de amar, de transformar o mundo ou de criar o belo, inúmeras mulheres deixarm de ser sujeitos desejosos. E sabemos, desde Freud e Lacan, que a supressão do desejo é a paralisação do motor incansável de toda atividade humana, é a supressão da própria vida !"


Era uma vez uma menina que observava tanto as galinhas que lhes conhecia a alma e os anseios íntimos. Ela era uma criatura de grande capacidade de amar: uma galinha não corresponde ao amor que se lhe dá e, no entanto, a menina continuava a amá-la.Um pouco maiorzinha, a menina teve uma galinha chamada Eponina: nutria por ela um amor mais realista e não romântico, amor de quem já sofreu por amor. E quando chegou a vez de Eponina ser comida, ela a comeu sem fome, mas com um prazer quase físico porque sabia agora que assim Eponina se incorporaria nela e se tornaria mais sua do que em vida.


Clarice Lispector, trecho do livro A descoberta do mundo.


"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos." NELSON RODRIGUES




Primeiro dia

Primeiro dia de aula. Pastinha na mão, laço de fita no cabelo e a vontade de descobrir o mundo. O que havia lá fora? O mesmo aconchego da casa de mãe, pai e irmãos? Lá fora... muita gente e ela sozinha ou muita gente e ela também? Partiu como um novo Cabral.

Menininhas engomadinhas rezando e rezando uma vida inteira para o Deus que ninguém via. Perto da capela, um bebedouro engraçado. A gente aperta e a água espirra. Água gloriosa se elevando a alturas desconhecidas. Maravilha! Mundo interessante este da escola. com água dançando no ar e na boca.

— Onde já se viu!

Hora de rezar...Primeiro dia de promessas desfeitas.

A menina saía da capela e a puxavam de volta. Nada de água dançando, espirrando, numa deliciosa festa de descoberta.

— Mamãe, nunca mais vou à escola.

— Por quê, filha?

— Não deixam a gente beber água.

E não voltou mesmo, a não ser muitos anos depois, com lágrimas nos olhos — água que aprendera a fabricar.


Márcia Carrano Castro é mineira, natural de Cataguases (MG).


GRANDE DESEJO
Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia, sou é mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar o cachorro e atiro os restos.
Quando dói, grito ai, quando é bom, fico bruta, as sensibilidades sem governo.
Mas tenho meus prantos,claridades atrás do meu estômago humildee fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,a uma lápide, a um descampado, para chorar, chorar e chorar,requintada e esquisita como uma dama.

de Adélia Prado


"Só o amor e a arte pagam a inquietação de ter nascido"
by Armando Pinheiro

Hoje



Ainda estou sem prática sobre o que escrever aqui...Acho que perdi o jeito para escrever sobre sentimentos, tal a prática que mantive durante esses anos de abafar qualquer sentimento, evitando ter que me debruçar sobre mais algumas lágrimas. Ainda mais agora que aprendi a controlá-las de uma forma brutal.

"Trago à flor da pele as coisas que devia esconder, o mais íntimo e sombrio. Podeis ver o meu esqueleto e não só, também trago à flor da pele a alma toda." (de Amalia Bautista)